A epicondilite lateral, o cotovelo de tenista, é a degeneração do tendão dos músculos que estendem o punho, no ponto em que ele se prende ao osso na face externa do cotovelo. A epicondilite medial, o cotovelo de golfista, é o equivalente na face interna. Apesar do nome, a maioria dos pacientes nunca jogou tênis: a causa é a repetição de preensão e torção no trabalho e no dia a dia.

Em Belo Horizonte, o Dr. Bernardo Catão Queiroz trata a epicondilite em etapas, do ajuste de carga à cirurgia, que é necessária em menos de um em cada dez casos.
Por que o tendão dói
Não se trata de inflamação aguda, e sim de microlesões acumuladas que o tendão não consegue reparar na mesma velocidade em que são produzidas. O tecido fica desorganizado e sensível, e qualquer esforço de preensão, como apertar a mão, girar uma maçaneta ou levantar uma xícara, reproduz a dor. A faixa mais acometida é entre 35 e 55 anos.
Sinais típicos
- Dor localizada na proeminência óssea da face lateral do cotovelo, que pode descer pelo antebraço
- Dor ao estender o punho contra resistência e ao segurar objetos com o braço esticado
- Fraqueza de preensão, com objetos escapando da mão
- Rigidez matinal no cotovelo
- Na forma medial, dor na face interna ao flexionar o punho e ao fazer pronação
Formigamento nos dedos ou dor que vem do pescoço apontam para outras causas, como compressão de nervo, e o exame físico diferencia.
Epicondilite medial: o cotovelo de golfista
Na face interna do cotovelo, o tendão que sofre é o dos músculos que flexionam o punho e fazem a pronação do antebraço, inserido no epicôndilo medial. É de cinco a dez vezes menos frequente que a forma lateral e aparece em quem faz preensão forte com o punho fletido: golfe, arremesso, musculação, carpintaria e trabalhos com ferramenta manual.
O ponto de atenção no lado medial é o nervo ulnar, que passa logo atrás do epicôndilo. Formigamento no dedo mínimo e no anular indica que o nervo está envolvido, o que muda o tratamento; em arremessadores, a dor medial também pode vir do ligamento colateral, e o ultrassom distingue as duas situações. Os princípios do tratamento são os mesmos da forma lateral, com exercícios excêntricos para os flexores, mas a infiltração e a cirurgia exigem cuidado adicional pela proximidade do nervo. No consultório do Dr. Bernardo, no Belvedere, em Belo Horizonte, o ultrassom feito na consulta localiza o tendão e o nervo antes de qualquer procedimento.
Diagnóstico
É clínico. O ultrassom confirma o espessamento e as fissuras do tendão e afasta outras lesões; a radiografia mostra calcificações. A ressonância é reservada para dúvida diagnóstica ou planejamento cirúrgico.
Tratamento conservador, que resolve a maioria
Redução das atividades que reproduzem a dor, ajuste de pegada e ergonomia, órtese de contraforça para o trabalho e fisioterapia baseada em exercícios excêntricos e de fortalecimento progressivo, que é a medida com melhor evidência. Ondas de choque ajudam nos casos que não respondem aos exercícios.
A infiltração de corticoide alivia rápido, mas o efeito é curto e as recidivas são frequentes, por isso é usada com critério. Infiltrações com plasma rico em plaquetas e a tenotomia percutânea guiada por ultrassom são alternativas nos casos persistentes.
Quando operar
A cirurgia é considerada depois de seis a doze meses de tratamento bem feito sem melhora, o que acontece em menos de dez por cento dos pacientes. A cirurgia do cotovelo para epicondilite retira o tecido degenerado e reinsere o tendão, por via aberta ou artroscópica, com incisões pequenas. O retorno às atividades leves leva de quatro a seis semanas e ao esforço pleno, de três a quatro meses.
Perguntas frequentes sobre epicondilite (tenista e golfista)
Cotovelo de tenista passa sozinho?
Em oitenta a noventa por cento dos casos a dor melhora em até um ano, mesmo sem tratamento específico. O tratamento serve para encurtar esse tempo e reduzir as recidivas.
Infiltração é boa para epicondilite?
A infiltração de corticoide alivia em poucos dias, mas o efeito dura semanas e a dor tende a voltar. Por isso é usada em crises intensas, sempre junto com os exercícios, e não repetida muitas vezes.
Órtese de cotovelo funciona?
A órtese de contraforça, uma faixa colocada alguns centímetros abaixo do cotovelo, reduz a tração no tendão durante o trabalho e alivia a dor em muitos pacientes. É um complemento, não o tratamento principal.
Ondas de choque dói? Quantas sessões?
A sessão causa desconforto tolerável e dura poucos minutos. Costumam ser três a cinco sessões semanais, indicadas quando os exercícios sozinhos não resolveram.
Qual é a diferença entre cotovelo de tenista e cotovelo de golfista?
O lado do cotovelo e o tendão. No de tenista, a dor é na face externa, no tendão dos músculos que estendem o punho; no de golfista, na face interna, no tendão dos que flexionam o punho. O de golfista é bem menos comum e pede atenção ao nervo ulnar, que passa ao lado.
Fontes e leitura complementar
- Tennis Elbow (Lateral Epicondylitis), OrthoInfo, Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (em inglês)
- Tennis elbow, NHS, serviço de saúde britânico (em inglês)
- Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC)