Dr.Bernardo Catão QueirozOrtopedia · ombro e cotovelo Agendar consulta
Guia completo

Tendinite no ombro: sintomas e tratamento

Muitas vezes o tendão está desgastado, não inflamado; isso muda o tratamento e explica por que só o anti-inflamatório falha.

Tendinite no ombro é a dor causada por sobrecarga ou desgaste de um tendão do manguito rotador, em geral ao levantar o braço e à noite. Hoje se prefere o termo tendinopatia, porque o problema costuma ser degeneração e não só inflamação. O tratamento combina fisioterapia e, quando preciso, infiltração guiada.

Homem segurando o ombro com a mão, com expressão de dor

A tendinite no ombro pode transformar tarefas simples, como colocar uma camiseta ou alcançar um objeto na prateleira, em momentos de desconforto. Apesar do nome, a dor nem sempre significa que o tendão está inflamado. Em muitos pacientes, existem sinais de desgaste e alterações na sua estrutura.

Essa condição recebe o nome de tendinopatia. Entender a diferença ajuda a explicar por que o anti-inflamatório nem sempre resolve e qual tratamento faz mais sentido para cada caso.

Uma tendinopatia que persiste pode evoluir para lesão do manguito rotador, tema tratado mais adiante. No consultório do Dr. Bernardo Catão Queiroz, em Belo Horizonte, o ultrassom feito na consulta mostra o estado do tendão e orienta se a conduta é fisioterapia, infiltração guiada ou outra.

O que é tendinite no ombro?

Nem toda dor nos tendões tem origem inflamatória. Mesmo assim, o nome tendinite passou a ser utilizado para diferentes problemas nestas estruturas, inclusive quando a dor está associada ao desgaste, e não a uma inflamação. Nos quadros persistentes, é comum encontrar alterações nas fibras que formam o tendão, onde o tecido perde parte de sua organização e passa a ter dificuldade para suportar determinados esforços. É o que os médicos chamam de tendinopatia.

Tendinopatia e tendinose são a mesma coisa?

Existe uma diferença entre os termos. Quando um tendão sofre alterações que provocam dor ou dificultam os movimentos, o problema recebe o nome de tendinopatia. Já a tendinose no ombro descreve as alterações degenerativas encontradas nesse tecido. Imagine uma pessoa que consegue levantar o braço normalmente, mas sente dor quando precisa carregar algum peso.

O tendão continua funcionando, só que determinados esforços passaram a incomodar. Nem sempre existe uma relação direta entre o grau de degeneração e a intensidade da dor. Há pessoas com alterações nos exames que não apresentam sintomas. O tratamento não deve se concentrar apenas na imagem do tendão.

Quais são os sintomas e como a dor se manifesta?

A dor geralmente aparece durante movimentos que exigem mais do ombro. No início, talvez incomode somente depois de um dia de trabalho ou de um treino. Com o passar do tempo, tarefas simples começam a ficar difíceis. Entre os principais sintomas de tendinite no ombro, estão:

  • Dor na frente ou na lateral do ombro
  • Incômodo ao levantar o braço acima da cabeça
  • Dificuldade para colocar uma camiseta ou um casaco
  • Dor ao tentar alcançar objetos em lugares altos
  • Desconforto para dormir sobre o lado afetado
  • Sensação de fraqueza ao levantar ou carregar peso
  • Dor que se espalha pela parte lateral do braço

Nem todos esses sintomas aparecem juntos. Alguns pacientes continuam movimentando o braço normalmente, mas sentem dor quando fazem força. Outros começam a evitar certos movimentos porque já sabem que vão incomodar.

Por que o ombro dói mais à noite?

Quem tem dor no ombro muitas vezes relata dificuldade para encontrar uma posição confortável na cama. Deitar sobre o lado afetado aumenta a pressão na região dolorida. Virar durante o sono também movimenta o braço e desperta o incômodo.

A dor noturna não confirma, sozinha, uma tendinite no ombro. Bursite, rupturas e outras doenças do ombro provocam queixas semelhantes.

O que causa a tendinose do ombro?

Nem sempre existe uma lesão ou acidente por trás da dor. Muitas vezes, o problema aparece quando o tendão passa a receber mais esforço do que consegue suportar naquele momento. Pense em alguém que ficou meses sem treinar e voltou à academia usando os mesmos pesos de antes.

A musculatura perdeu parte do condicionamento, mas a exigência voltou de uma vez. O ombro também sofre com atividades repetitivas, especialmente quando os braços permanecem elevados durante muito tempo. Entre os fatores associados à tendinite no ombro, destacam-se:

  • Excesso de carga: aumentar rapidamente o peso ou a intensidade dos exercícios
  • Movimentos repetitivos: trabalhar frequentemente com os braços acima da cabeça
  • Envelhecimento dos tendões: mudanças naturais na estrutura do tecido ao longo dos anos
  • Fraqueza muscular: falta de preparo para suportar determinados esforços
  • Lesões anteriores: problemas antigos que interferem no movimento e na força do ombro

A tendinite aparece apenas em quem pratica exercícios?

Não. Pessoas sedentárias também apresentam tendinite no ombro. Um trabalho que exige movimentos repetidos, por exemplo, já representa uma sobrecarga para os tendões. A idade também influencia, mas ter mais anos de vida não significa necessariamente sentir dor ou desenvolver uma lesão.

O que importa é entender a condição do tendão e como ele responde aos esforços da rotina.

Qual a diferença entre tendinite e bursite no ombro?

Muitos pacientes chegam ao consultório dizendo que estão com bursite porque sentem dor ao levantar o braço, enquanto outros acreditam que o problema é uma tendinite. Só pela dor, não é fácil distinguir uma condição da outra. A diferença está na região do ombro que apresenta o problema.

Na tendinite no ombro, o problema está nos tendões, estruturas que prendem os músculos aos ossos e participam dos movimentos do ombro. A bursite é diferente. Nesse caso, a inflamação acontece na bursa, uma pequena bolsa que ajuda os tecidos a deslizarem sem atrito excessivo.

Com a região inflamada, levantar o braço ou fazer movimentos acima da cabeça pode causar dor e desconforto.

É possível ter os dois problemas juntos?

Sim, pois os tendões do manguito rotador ficam muito próximos da bursa subacromial-subdeltoidea. Uma alteração no tendão geralmente vem acompanhada de mudanças nessa estrutura. No entanto, a diferença entre tendinite e bursite no ombro nem sempre é percebida apenas pela localização da dor.

O exame físico e, quando necessário, o ultrassom ajudam a identificar o que está acontecendo.

Como é feito o diagnóstico?

Antes de solicitar exames, o ortopedista precisa conhecer a história da dor. Há quanto tempo o ombro incomoda? O paciente sofreu alguma queda? A dor começou depois de aumentar os pesos na academia? Existe dificuldade para trabalhar ou dormir?

As respostas ajudam a direcionar a investigação. Durante o exame físico, o médico observa os movimentos, avalia a força e verifica quais posições provocam desconforto.

Qual é a importância do ultrassom?

O ultrassom possibilita examinar os tendões do manguito rotador e identificar alterações como tendinose, calcificações e rupturas. Também ajuda a observar a bursa e outras estruturas próximas. Em Belo Horizonte, o Dr. Bernardo Queiroz realiza o ultrassom na própria consulta, o que permite relacionar as imagens aos sintomas e às alterações observadas no exame físico.

Nem todo achado no ultrassom explica a dor do paciente. Algumas alterações degenerativas aparecem mesmo em pessoas que movimentam o ombro normalmente. A avaliação conjunta evita que o tratamento seja definido apenas pelo resultado de um exame.

Quais são as opções de tratamento?

Quem está com dor há semanas geralmente já tentou diminuir os movimentos ou tomar algum medicamento. O problema é que, quando existe tendinite no ombro, aliviar o desconforto não significa necessariamente recuperar a capacidade do tendão. O tratamento da tendinite no ombro procura melhorar a função da articulação, controlar os sintomas e preparar o braço para voltar às atividades.

É necessário parar todas as atividades?

Não obrigatoriamente. Em muitos casos, o paciente precisa apenas modificar temporariamente alguns esforços. Quem faz musculação, por exemplo, talvez tenha de reduzir o peso ou adaptar exercícios que exigem muito dos ombros. Já uma pessoa que trabalha levantando objetos precisa avaliar quais tarefas estão provocando maior desconforto.

O repouso absoluto por períodos prolongados não é a orientação habitual, pois sem movimento e estímulos adequados, a musculatura perde força.

Como a fisioterapia ajuda na recuperação?

A fisioterapia é uma parte importante do tratamento, especialmente quando a dor vem de alterações nos tendões do ombro. Cada paciente tem suas próprias dificuldades. Alguns sentem dor ao vestir uma roupa, outros não conseguem levantar o braço sem desconforto.

A escolha dos exercícios leva essas limitações em conta, com o cuidado de não sobrecarregar o ombro durante a recuperação. Durante a reabilitação, o trabalho envolve:

  • Recuperar os movimentos: melhorar a mobilidade do braço sem aumentar excessivamente a dor
  • Fortalecer o manguito rotador: preparar os músculos e tendões para suportar os esforços diários
  • Trabalhar a musculatura da escápula: melhorar o controle do ombro durante os movimentos
  • Aumentar a resistência: permitir que o braço volte a realizar atividades por mais tempo
  • Retomar as atividades: preparar o paciente para voltar ao trabalho, aos exercícios e às tarefas habituais

A intensidade dos exercícios aumenta gradualmente, respeitando a evolução de cada pessoa. Quem sente dor para vestir uma camiseta não precisa começar com os mesmos exercícios de alguém que quer voltar à musculação.

Quando a infiltração guiada é indicada?

Em determinadas situações, a dor é tão intensa que dificulta até a participação na fisioterapia. Nesses casos, o ortopedista avalia se uma infiltração ajudaria no controle dos sintomas. O procedimento utiliza uma medicação aplicada em uma região específica, de acordo com o diagnóstico.

Com o ultrassom, o médico acompanha a posição da agulha e identifica o local da aplicação. A infiltração não é indicada para todos os pacientes. Quando são utilizados corticosteroides, também é necessário considerar seus possíveis riscos, sobretudo com aplicações repetidas.

Ondas de choque funcionam para tendinopatia?

As ondas de choque são utilizadas principalmente em casos selecionados de tendinopatia calcária. Nesse quadro, surgem depósitos de cálcio dentro do tendão. Dependendo da fase da doença, a dor chega a ser bastante intensa. O procedimento utiliza ondas acústicas direcionadas à região afetada.

Para tendinopatias sem calcificação, as evidências não sustentam seu uso rotineiro. Antes de indicar o tratamento, é necessário identificar qual alteração está presente.

A tendinite do manguito rotador pode causar ruptura?

O manguito rotador é formado por quatro músculos e seus tendões, responsáveis por ajudar nos movimentos e na estabilidade do ombro. O supraespinal é um dos tendões mais frequentemente afetados pela tendinopatia. Quando surgem alterações degenerativas, o tecido apresenta mudanças em sua estrutura, contudo, ter tendinite não significa que uma ruptura acontecerá obrigatoriamente.

Uma ruptura representa a perda parcial ou completa da continuidade das fibras do tendão. Ela surge após traumas, como quedas, ou se desenvolve gradualmente em tendões que já apresentam alterações.

Como desconfiar de uma ruptura?

Uma perda importante de força merece atenção. Imagine uma pessoa que caiu e, depois do acidente, passou a ter muita dificuldade para levantar o braço. Nessa situação, é importante investigar uma possível lesão do manguito rotador. Rupturas menores nem sempre provocam sintomas tão evidentes.

O ultrassom auxilia no diagnóstico, e a ressonância magnética entra na investigação quando existe indicação. Mesmo diante de uma ruptura, a cirurgia não é automática. O ortopedista considera o tamanho da lesão, a força, os sintomas e as necessidades do paciente antes de definir o tratamento.

Quanto tempo leva para o ombro melhorar?

Não existe um prazo que sirva para todas as pessoas. Quem começou a sentir dor recentemente apresenta uma situação diferente de alguém que já deixou de fazer exercícios e não consegue dormir bem há vários meses. Também é preciso considerar o grau das alterações do tendão, a força muscular e a resposta ao tratamento.

Em alguns pacientes, a dor começa a diminuir nas primeiras semanas. Recuperar a força e voltar a atividades mais exigentes geralmente leva mais tempo.

Quando voltar à academia ou ao trabalho?

O retorno depende do esforço exigido. Uma pessoa que trabalha sentada talvez consiga manter quase toda a rotina, fazendo pequenas adaptações. Quem carrega peso ou permanece com os braços elevados durante boa parte do expediente precisa de uma recuperação compatível com essas tarefas.

Na academia, nem sempre será possível retomar imediatamente os pesos utilizados antes da dor. A progressão deve acompanhar a força e a resposta do ombro aos exercícios, sem provocar piora persistente dos sintomas.

Quando procurar um especialista em ombro?

Uma dor passageira depois de um esforço diferente nem sempre indica uma lesão. Mas, quando o incômodo continua aparecendo, atrapalha o sono ou dificulta movimentos simples, vale procurar uma avaliação. Perda de força, limitação progressiva e dor após uma queda também merecem investigação.

Se houver incapacidade repentina de levantar o braço depois de um trauma, o atendimento deve ser mais rápido. Nem toda dor no ombro tem origem nos tendões. Problemas na coluna cervical, por exemplo, também provocam desconforto que se espalha pelo braço.

Identificar a causa é o que permite escolher o tratamento adequado, sem depender apenas de medicamentos ou interromper atividades desnecessariamente.

Se a dor no ombro dura semanas, atrapalha o sono ou o treino, agende uma avaliação com o Dr. Bernardo Catão Queiroz, ortopedista especialista em ombro, em Belo Horizonte.

Perguntas frequentes

Como acabar com a tendinite do ombro?

O tratamento depende das alterações encontradas. Na maioria dos casos de tendinopatia, fisioterapia, fortalecimento e ajuste das atividades fazem parte da recuperação. Outros procedimentos são avaliados quando existe indicação.

Tem atestado para tendinite?

Sim, quando o médico identifica necessidade de afastamento. A decisão considera a intensidade dos sintomas, as limitações apresentadas e o tipo de trabalho realizado.

Qual a diferença entre tendinite e bursite no ombro?

A tendinite envolve o tendão, enquanto a bursite é uma inflamação da bursa. Os sintomas são semelhantes e as duas alterações também aparecem juntas.

Quais exercícios são recomendados para a tendinite do manguito rotador?

Os exercícios geralmente trabalham o fortalecimento do manguito rotador e da musculatura da escápula. A escolha depende da dor, da força e das condições do ombro.

Tendinite no ombro tem cura?

Muitos pacientes conseguem controlar a dor e recuperar suas atividades com tratamento adequado. As alterações estruturais do tendão nem sempre desaparecem, mas não impedem necessariamente uma boa recuperação funcional.

Fontes e leitura complementar

Páginas relacionadas

Leia também