A tendinite calcária é o depósito de cálcio dentro de um tendão do manguito rotador, quase sempre o supraespinal. Passa por fases, e a crise de dor forte costuma marcar a reabsorção do cálcio. O diagnóstico é por radiografia e ultrassom; ondas de choque e lavagem guiada por ultrassom resolvem a maioria dos casos sem cirurgia.

A tendinite calcária acontece quando cristais de cálcio se acumulam dentro de um dos tendões do ombro.
Algumas pessoas descobrem essa alteração quase por acaso. Outras chegam ao consultório em uma crise de dor tão forte que mal conseguem levantar o braço, trocar de roupa ou encontrar uma posição confortável para dormir.
O quadro tem um comportamento diferente de outras doenças dos tendões.
A calcificação passa por fases, muda ao longo do tempo e, justamente quando o organismo começa a tentar eliminá-la, a dor pode ficar mais intensa.
O tratamento depende do tamanho e da consistência do depósito de cálcio, da fase da doença, dos sintomas e do que aparece nos exames.
Fisioterapia, ondas de choque e lavagem guiada por ultrassom estão entre as opções utilizadas antes de se pensar em cirurgia.
O que é a tendinite calcária no ombro?
A tendinite calcária no ombro é caracterizada pela formação de um depósito de cálcio dentro de um tendão.
O supraespinal, que faz parte do manguito rotador, é uma das regiões mais atingidas.
Não significa que o osso esteja crescendo dentro do tendão. O que existe é um acúmulo de cristais em uma área que normalmente não deveria apresentar esse material.
Uma paciente conta que, há alguns dias, vinha sentindo uma dor no ombro, principalmente quando levantava o braço para se vestir.
Como ainda conseguia trabalhar e cuidar das tarefas de casa, não deu muita importância.
O problema é que a dor piorou de repente. Durante a madrugada, ficou difícil até encontrar uma posição confortável para dormir. No dia seguinte, precisou de ajuda para colocar a roupa.
Foi com essa queixa que ela chegou ao consultório. Durante a avaliação, o ultrassom mostrou um depósito de cálcio em um dos tendões do ombro, característico da tendinite calcária.
Nem toda calcificação encontrada no exame provoca sintomas. O resultado precisa ser interpretado junto com a história do paciente e com o exame físico.
Por que o cálcio se deposita no tendão?
É comum o paciente querer saber o que levou à formação do cálcio no tendão.
Nem sempre há uma explicação clara, já que o problema geralmente não está ligado a um esforço ou movimento específico.
O cálcio aparece a partir de mudanças que ocorrem dentro do próprio tendão. O tecido passa por um processo biológico e, em determinada etapa, surgem cristais de cálcio.
Não é o mesmo mecanismo do cálcio presente na alimentação.
Beber leite, comer queijo ou consumir alimentos ricos em cálcio não significa que o paciente vá criar uma calcificação no ombro.
Também não faz sentido retirar esses alimentos da dieta com a intenção de dissolver o depósito.
Outra confusão comum é relacionar a doença diretamente ao excesso de cálcio no sangue. Na maior parte das pessoas com tendinite calcária, não é esse o problema.
Quais são as fases da doença?
A calcificação não permanece necessariamente igual durante anos. Ela passa por etapas, e o tipo de dor muda bastante de uma fase para outra.
1. Formação do depósito
Nessa fase, o cálcio começa a se acumular dentro do tendão.
Há pacientes com pouco ou nenhum desconforto. Outros sentem dor em determinados movimentos, principalmente quando elevam o braço.
Uma pessoa pode continuar trabalhando e fazendo suas atividades por meses com um incômodo leve, por exemplo, até que a doença entre em outra etapa.
2. Período de estabilidade
O depósito já está formado e permanece no tendão.
A dor varia. Alguns pacientes ficam praticamente sem sintomas.
Outros apresentam dificuldade para dormir sobre o lado afetado, colocar a mão atrás das costas ou pegar objetos em locais mais altos.
3. Reabsorção
É a fase que chama mais atenção.
O organismo começa a reagir ao depósito e tenta removê-lo. Nesse período, o cálcio tende a ficar mais amolecido e ocorre uma reação inflamatória importante ao redor da região.
É comum o paciente chegar ao consultório dizendo que estava relativamente bem e, de um dia para o outro, o ombro ficou quase impossível de movimentar.
A intensidade da dor nessa etapa nem sempre significa que o tendão piorou.
Em muitos casos, o desconforto forte aparece justamente quando existe uma tentativa natural de reabsorção do cálcio.
Quais são os sintomas da tendinite calcificada no ombro?
A expressão tendinite calcificada no ombro também é usada para descrever a presença desse depósito dentro do tendão.
Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.
As queixas mais relatadas são:
- Dor na lateral ou na parte da frente do ombro
- Dificuldade para levantar o braço
- Dor durante a noite
- Dificuldade para dormir sobre o ombro afetado
- Incômodo ao vestir uma camiseta ou fechar o sutiã
- Dificuldade para alcançar uma prateleira
- Perda temporária de movimento durante uma crise
- Dor que desce pela região lateral do braço
A crise da fase de reabsorção merece atenção especial.
Algumas pessoas chegam a manter o braço próximo ao corpo porque qualquer tentativa de movimento provoca dor intensa.
Uma situação comum é o paciente acreditar que rompeu algum tendão durante o sono porque acordou com o ombro muito dolorido.
A avaliação e os exames ajudam a descobrir se a calcificação está por trás dessa mudança súbita.
Como é feito o diagnóstico da calcificação no ombro?
A investigação começa pela conversa sobre a dor e pelo exame do ombro.
O médico observa quais movimentos incomodam, se existe perda de força e se outras alterações poderiam explicar os sintomas.
Dois exames têm papel importante nessa avaliação.
Radiografia
A calcificação no ombro aparece com facilidade em muitas radiografias. O exame ajuda a identificar a localização e a aparência do depósito.
Algumas calcificações são mais bem definidas e compactas. Outras apresentam aspecto menos delimitado, principalmente quando estão sendo reabsorvidas.
Ultrassom
O ultrassom permite examinar o depósito de maneira dinâmica.
É possível avaliar onde o cálcio está, sua aparência, a relação com o tendão e a presença de alterações próximas.
No consultório, há situações em que o paciente chega com uma radiografia mostrando uma calcificação, mas ainda existe dúvida sobre o estágio em que ela se encontra. O ultrassom ajuda a completar essa análise.
O exame também tem outra função: orientar procedimentos realizados diretamente sobre a área do depósito.
Como tratar?
Nem todo paciente precisa do mesmo tratamento. A conduta muda de acordo com a intensidade da dor, a fase da calcificação e a resposta às medidas já tentadas.
Controle da dor
Nos períodos mais dolorosos, o tratamento busca inicialmente tornar os sintomas mais toleráveis.
Medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios são prescritos em algumas situações, sempre após avaliação médica, principalmente quando existem outras doenças ou uso de medicamentos contínuos.
Reduzir temporariamente os movimentos que provocam dor também ajuda durante uma crise muito intensa.
Repouso absoluto do braço por longos períodos não é, em geral, o objetivo.
Fisioterapia
A fisioterapia tem espaço importante quando a dor começa a permitir os movimentos.
O trabalho não consiste simplesmente em forçar o ombro.
Imagine um paciente que mal consegue alcançar o armário da cozinha. O início do tratamento respeita essa limitação.
Com a evolução, os exercícios ajudam a recuperar a mobilidade, controle e força para atividades que fazem parte da rotina.
A fisioterapia não precisa esperar o depósito desaparecer completamente para começar.
Ondas de choque
As ondas de choque utilizam pulsos de energia aplicados sobre a região da calcificação.
O objetivo é estimular uma resposta local e favorecer mudanças no depósito, principalmente em pacientes que continuam sintomáticos apesar das primeiras medidas de tratamento.
Não se trata de um choque elétrico.
A pessoa permanece acordada durante a aplicação e sente os pulsos sobre o ombro. A intensidade é regulada de acordo com a região tratada e com a tolerância durante a sessão.
O Dr. Bernardo Queiroz realiza o tratamento com ondas de choque no próprio consultório, em Belo Horizonte, quando existe indicação para esse tipo de abordagem.
Lavagem e aspiração guiadas por ultrassom
Em determinadas calcificações, existe a possibilidade de acessar o depósito com uma agulha e tentar remover parte do material.
O ultrassom permite acompanhar o caminho da agulha na tela e localizar com precisão a região que será tratada.
Durante o procedimento, o depósito é lavado e parte do conteúdo pode ser aspirada. Essa técnica recebe nomes como lavagem percutânea ou barbotagem.
Um exemplo ajuda a entender a indicação: o paciente permanece com dor importante, o ultrassom mostra um depósito de consistência favorável para a lavagem e o tratamento mais simples não trouxe melhora suficiente.
Nessa situação, o procedimento pode entrar na discussão antes de uma cirurgia.
Vale mencionar que nem toda calcificação apresenta consistência adequada para ser aspirada. A imagem do ultrassom ajuda a decidir.
Quando a artroscopia é considerada?
A cirurgia fica reservada para uma parcela menor dos pacientes.
Ela entra em discussão quando os sintomas continuam limitantes mesmo depois de um tratamento adequado ou quando as características do caso exigem outra abordagem.
Na artroscopia, pequenas incisões permitem que o cirurgião introduza uma câmera e instrumentos no ombro. O depósito é localizado e retirado.
Se houver alguma lesão associada no tendão, ela também é avaliada durante o procedimento.
Tendinite calcária tem cura?
Sim, muitos pacientes evoluem bem e conseguem voltar às atividades que estavam limitadas pela dor.
Quando alguém pergunta se tendinite calcária tem cura, vale entender que o comportamento da doença não é igual em todos os casos.
Existem depósitos que são reabsorvidos pelo próprio organismo e outros que permanecem por mais tempo.
O objetivo do tratamento é controlar os sintomas, recuperar a função do ombro e acompanhar a evolução da calcificação.
Nem sempre é necessário esperar que a imagem desapareça por completo para o paciente ficar sem dor.
É possível, por exemplo, encontrar uma pequena calcificação residual em uma radiografia de alguém que já voltou a dormir bem, trabalhar e movimentar o braço sem dificuldade.
Tendinite calcária: gelo ou calor?
A dúvida sobre usar gelo ou calor para tendinite calcária aparece muito durante as crises.
Quando existe dor intensa e recente, principalmente na fase de reabsorção, o gelo é mais confortável para muitos pacientes.
Ele pode ser utilizado por períodos curtos, sempre com uma proteção entre a pele e a bolsa fria.
O calor é percebido de outra maneira. Algumas pessoas sentem relaxamento muscular, principalmente quando o ombro está rígido, mas ele não dissolve a calcificação.
Na prática, imagine alguém que acordou com uma crise forte e mal consegue levantar o braço.
Uma compressa fria é melhor tolerada naquele momento do que uma aplicação quente.
Se a dor está muito forte ou surgiu de maneira inesperada, agende uma consulta com o Dr. Bernardo Queiroz para investigar a causa antes de depender apenas de compressas em casa.
A avaliação ajuda a identificar a fase da calcificação e definir a abordagem mais adequada para o seu caso.
Perguntas frequentes
O que é tendinite calcificada no ombro?
É a formação de um depósito de cálcio dentro de um dos tendões do ombro, geralmente na região do manguito rotador. O quadro também recebe o nome de tendinite calcária.
Tendinite calcária tem cura?
Muitos pacientes apresentam melhora significativa e alguns depósitos são reabsorvidos pelo próprio organismo. O tratamento é definido de acordo com os sintomas, a fase da doença e os exames.
Gelo ou calor na tendinite calcária?
Durante uma crise aguda e muito dolorosa, o gelo tende a trazer mais conforto. O calor não dissolve o cálcio e sua utilidade depende do tipo de sintoma apresentado naquele momento.
A calcificação no ombro precisa ser retirada?
Não necessariamente. Existem pessoas que melhoram sem retirada direta do depósito. Quando os sintomas persistem, ondas de choque ou lavagem guiada por ultrassom podem entrar no tratamento.
Quem tem tendinite calcária precisa fazer cirurgia?
A cirurgia não é a primeira escolha para a maioria dos pacientes. A artroscopia costuma ser considerada quando a dor e a limitação persistem apesar das opções de tratamento indicadas para aquele caso.
Fontes e leitura complementar
- Calcific Tendinitis of the Shoulder, OrthoInfo, Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (em inglês)
- Shoulder pain, NHS, serviço de saúde britânico (em inglês)
- Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC)
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