Uma dor no ombro que insiste em voltar, mesmo depois de um período de fisioterapia, ou um cotovelo que continua doendo em tarefas simples, como carregar uma sacola ou segurar uma garrafa, precisa ser reavaliado.

Em alguns casos, a terapia por ondas de choque entra como uma opção antes de pensar em cirurgia.
O tratamento concentra pulsos acústicos na área lesionada para estimular uma resposta do próprio tecido e ajudar no controle da dor.
Mas nem todo quadro responde da mesma maneira. A indicação depende do tendão afetado, do tipo de lesão e dos tratamentos que já foram realizados.
O que é a terapia por ondas de choque?
Na terapia por ondas de choque, o tratamento é feito por fora da pele, sem cirurgia ou uso de agulhas.
O profissional posiciona o aplicador do aparelho sobre a área dolorida. A partir dali, são liberados pulsos acústicos que alcançam os tecidos que precisam ser tratados.
Existem duas modalidades principais:
- Ondas focais: concentram a energia em uma região específica, inclusive em estruturas mais profundas
- Ondas radiais: distribuem a pressão por uma área mais ampla e superficial
A escolha depende das características da lesão. Na tendinite calcária do ombro, por exemplo, as ondas focais são frequentemente utilizadas para atingir o depósito de cálcio.
Já no cotovelo, as ondas radiais representam uma das alternativas para tratar tendões doloridos.
É o mesmo tratamento que o ultrassom da fisioterapia?
Não. Apesar de ambos utilizarem energia mecânica, são recursos diferentes.
O ultrassom terapêutico da fisioterapia transmite vibrações sonoras de alta frequência aos tecidos.
Já as ondas de choque produzem pulsos de pressão com características e efeitos biológicos distintos.
Existe também o ultrassom diagnóstico, utilizado pelo médico para visualizar o tendão e localizar a área comprometida.
No consultório, esse exame auxilia na identificação do ponto de aplicação, mas não substitui o tratamento.
Ondas de choque: para que serve no ombro e no cotovelo?
O tratamento é considerado principalmente para problemas persistentes dos tendões, sobretudo quando a fisioterapia e outras medidas não proporcionaram a melhora esperada.
Entre as indicações estão a tendinite calcária, algumas tendinopatias do manguito rotador e a epicondilite.
Ondas de choque para tendinite calcária
A tendinite calcária ocorre quando depósitos de cálcio se formam dentro dos tendões do ombro.
Alguns pacientes sentem dor intensa ao levantar o braço ou se deitar sobre o lado afetado. Outros descobrem a calcificação durante um exame solicitado por outro motivo.
Quando existe dor persistente, o tratamento por ondas de choque para tendinite calcária apresenta uma das evidências mais favoráveis entre as aplicações desse método.
Os pulsos acústicos ajudam a estimular processos que favorecem a reabsorção do depósito.
A melhora da dor e a redução da calcificação são graduais e não acontecem em todos os pacientes.
Ondas de choque no ombro com lesão do manguito rotador
O manguito rotador é formado por músculos e tendões que participam dos movimentos e da estabilidade do ombro.
Quando um desses tendões sofre alterações, levantar o braço, alcançar objetos ou dormir sobre o ombro afetado se torna desconfortável.
Nos casos sem calcificação, a indicação das ondas de choque no ombro exige mais cautela.
As pesquisas apresentam resultados inconsistentes, e diretrizes clínicas não recomendam seu uso rotineiro para tendinopatias não calcificadas.
O tratamento também não reconecta um tendão completamente rompido.
Ondas de choque para epicondilite
A epicondilite é uma alteração dos tendões do cotovelo, conhecida popularmente como cotovelo de tenista ou de golfista, dependendo da região afetada.
A dor chega a dificultar movimentos simples, como abrir uma garrafa, carregar compras ou segurar ferramentas.
Em pacientes que continuam com sintomas após um programa adequado de reabilitação, as ondas de choque entram entre as alternativas de tratamento.
A evidência é moderada e os estudos apresentam diferenças nos resultados.
Parte dos pacientes melhora, mas o procedimento não substitui os exercícios específicos para recuperação da força e da resistência dos tendões.
Como as ondas de choque funcionam no tendão?
Um tendão lesionado nem sempre apresenta uma inflamação simples.
Quando a dor se prolonga, também existem alterações na organização e na capacidade de resistência das suas fibras.
Os pulsos acústicos provocam estímulos mecânicos que desencadeiam respostas biológicas no tecido.
Entre os efeitos estudados, vale mencionar:
- Estímulo à circulação sanguínea na região tratada
- Ativação de mecanismos envolvidos na reparação dos tecidos
- Modificação da sensibilidade à dor
- Favorecimento da reabsorção de depósitos de cálcio em casos selecionados
Essas respostas não significam que o tendão será reconstruído.
Um paciente com epicondilite há seis meses, por exemplo, ainda precisa recuperar a força necessária para trabalhar e realizar suas atividades.
As ondas representam uma parte do tratamento. A reabilitação continua sendo importante para melhorar a capacidade do tendão de suportar esforços.
Ondas de choque doem durante a aplicação?
Sim, existe algum desconforto. A sensação é frequentemente descrita como pequenas batidas repetidas sobre o ponto dolorido.
A intensidade varia de acordo com a região tratada, a sensibilidade individual e a energia utilizada.
Em um paciente com calcificação no ombro, por exemplo, o desconforto fica mais evidente quando o aparelho alcança a região afetada.
O profissional ajusta os parâmetros para manter a aplicação dentro de um limite tolerável.
Precisa de anestesia?
Na maioria dos protocolos ambulatoriais, não é necessário utilizar anestesia.
A aplicação é rápida e o paciente permanece acordado durante o procedimento, informando quando sente maior desconforto.
O uso de anestésicos depende da modalidade escolhida e da avaliação médica, mas não faz parte da rotina de todos os tratamentos.
É normal sentir dor depois?
Uma sensibilidade maior na região tratada durante as primeiras 24 a 48 horas não significa necessariamente que houve alguma complicação.
Também surgem, ocasionalmente, vermelhidão ou pequenos hematomas.
O médico orienta quais atividades devem ser temporariamente reduzidas e quais cuidados são necessários.
O uso de anti-inflamatórios e gelo deve ser discutido com o profissional, já que alguns protocolos recomendam evitá-los ao redor das sessões para não interferir na resposta biológica desejada.
Dor intensa, piora progressiva ou sintomas diferentes dos habituais merecem reavaliação.
Quantas sessões de ondas de choque são necessárias?
Em muitos casos, são realizadas de três a cinco sessões, geralmente com intervalos de aproximadamente uma semana.
Esse número não é uma regra para todos os pacientes. O planejamento considera o diagnóstico, o tipo de equipamento e a resposta apresentada durante o tratamento.
Uma pessoa com tendinite calcária, por exemplo, recebe um protocolo diferente daquele indicado para uma epicondilite persistente.
Quanto tempo dura cada sessão?
A aplicação dos pulsos geralmente leva de cinco a dez minutos.
O atendimento também envolve a localização da área lesionada, o posicionamento do paciente e a preparação do equipamento.
Em determinados protocolos, são aplicados cerca de dois mil a três mil pulsos por sessão, com ajustes de acordo com a necessidade clínica.
É preciso repousar depois?
Na maioria dos tratamentos de tendões, não há necessidade de imobilização ou afastamento completo das atividades habituais.
O paciente geralmente retorna à rotina no mesmo dia.
Já os exercícios intensos, especialmente aqueles que exigem muito do tendão tratado, precisam respeitar as orientações do ortopedista.
Quem pratica musculação, por exemplo, recebe recomendações específicas para evitar sobrecarregar a região durante essa fase.
Quando aparecem os resultados do tratamento?
A melhora nem sempre é percebida logo após a primeira aplicação.
Diferentemente de procedimentos que proporcionam alívio imediato da dor, as ondas estimulam respostas que se desenvolvem ao longo das semanas seguintes.
Alguns pacientes percebem mudanças durante o ciclo de sessões. Outros apresentam uma evolução mais lenta.
A avaliação dos resultados geralmente acontece entre seis e doze semanas após o término do tratamento.
O que esperar na tendinite calcária?
A tendinite calcária apresenta resultados mais consistentes nos estudos, particularmente com protocolos adequados de ondas focais.
Há pacientes que apresentam redução da dor, melhora dos movimentos e diminuição do depósito de cálcio nos exames.
A reabsorção da calcificação leva tempo e não é garantida. Em situações persistentes, a lavagem guiada por ultrassom ou outras intervenções continuam sendo alternativas.
E quando a epicondilite não melhora?
No cotovelo, a resposta é menos previsível.
A duração dos sintomas, as atividades realizadas e a capacidade do tendão de suportar esforço influenciam a evolução.
Um paciente que trabalha diariamente com ferramentas, por exemplo, precisa avaliar quais movimentos continuam sobrecarregando o cotovelo.
A manutenção dos exercícios orientados e o ajuste das atividades fazem parte da recuperação, independentemente do resultado das ondas de choque.
Quem não pode fazer ondas de choque?
Antes de indicar o procedimento, o ortopedista precisa conhecer as condições de saúde do paciente e identificar possíveis contraindicações.
Situações que exigem atenção:
- Gestação, especialmente quando a região de aplicação representa risco ao feto
- Infecção ou feridas na área que receberia o tratamento
- Distúrbios de coagulação ou uso de medicamentos anticoagulantes, que exigem avaliação individual
- Tumores na região de aplicação
- Presença de dispositivos eletrônicos implantados próximos ao local, dependendo do equipamento
O procedimento também não é uma solução para qualquer dor no ombro ou no cotovelo.
Quem tem artrose ou ombro congelado deve fazer?
Artrose e capsulite adesiva, também conhecida como ombro congelado, têm características diferentes das tendinopatias.
Na artrose, o desgaste compromete principalmente a articulação. No ombro congelado, existe uma alteração da cápsula articular que provoca dor e limitação dos movimentos.
As ondas não recuperam a cartilagem desgastada nem corrigem a rigidez da cápsula. Essas doenças exigem tratamentos direcionados às suas causas.
Quanto custa o tratamento com ondas de choque?
O valor depende de diferentes aspectos do planejamento terapêutico. Não existe um custo único que sirva para todos os casos.
Os fatores considerados são:
- Tipo de equipamento: os aparelhos focais e radiais apresentam características e aplicações diferentes
- Número de sessões: o protocolo é definido de acordo com a lesão
- Avaliação médica: o diagnóstico e a definição da área tratada fazem parte do planejamento
- Uso de ultrassom: quando indicado, o exame auxilia na localização do tendão e da lesão
- Acompanhamento: a evolução precisa ser observada para verificar se o tratamento está oferecendo o benefício esperado
Antes de iniciar, vale esclarecer o que está incluído no planejamento e como será realizado o acompanhamento.
Também é importante confirmar se o procedimento é realmente indicado. Nem sempre a opção mais tecnológica representa o melhor tratamento para determinada lesão.
Quando a dor no ombro ou no cotovelo persiste apesar da fisioterapia, o mais importante é descobrir o que ainda está impedindo a recuperação.
O Dr. Bernardo Catão Queiroz, especialista em ombro e cotovelo em Belo Horizonte, avalia essas situações e orienta quando vale considerar as ondas de choque ou seguir outro caminho de tratamento.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura uma sessão de terapia de ondas de choque?
A aplicação geralmente dura de cinco a dez minutos. O atendimento completo inclui a preparação do paciente, a localização da lesão e os ajustes do aparelho.
Qual o melhor aparelho de ondas de choque para fisioterapia?
Não existe um aparelho superior para todas as lesões. As ondas focais são frequentemente utilizadas em calcificações profundas, enquanto as radiais têm aplicações em tendões mais superficiais. A escolha depende do diagnóstico.
Quantas vezes posso fazer choquinho na fisioterapia?
O chamado choquinho da fisioterapia geralmente se refere à eletroterapia, um tratamento diferente das ondas de choque. A frequência depende do recurso utilizado e da orientação profissional.
Quanto custa o tratamento por ondas de choque?
O custo varia de acordo com o equipamento, a quantidade de sessões, a avaliação médica e os recursos utilizados durante a aplicação. O planejamento individual permite entender o que será necessário.
Ondas de choque substituem a fisioterapia?
Não. Nos problemas dos tendões, os exercícios continuam sendo importantes para recuperar força e resistência. As ondas entram como recurso complementar em situações selecionadas.
Fontes e leitura complementar
- Extracorporeal shockwave therapy for refractory tennis elbow, NICE, instituto britânico de excelência clínica (em inglês)
- Calcific Tendinitis of the Shoulder, OrthoInfo, Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (em inglês)
- Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC)
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